Filme- Como Estrelas na Terra

Como Estrela na Terra, é um filme indiano que relata a história de um menino (Ishaan), em idade escolar, que tem dislexia. O enredo mostra o sofrimento da criança em não ser compreendida pela sua dificuldade de aprendizado, negligenciada tanto em contexto escolar e familiar e abordar as consequências negativas e positivas que um educador tem na vida de uma criança que apresenta um distúrbio de aprendizagem.

Ishaan é o protagonista do filme, está sempre metido em confusão, mas tem uma sensibilidade de enxergar além do que os outros conseguem a sua volta, porém a mãe do menino a todo tempo tenta parar os pensamentos livre do filho e “trazê-lo ao mundo real”, tentando adaptá-lo a vida, demonstrando muita preocupação. Mesmo muito afetuosa, ela não consegue identificar as necessidades do filho. Mostrando que o sentimento de mãe, não é suficiente para um bom desenvolvimento. Já o pai, é uma figura hostil, xinga, bate, não tem paciência, enxerga o filho como preguiçoso, desatento.

(Isso ocorre muito mais do que pensamos. Os pais e ou responsáveis precisam de mais sensibilidade para olhar os filhos com os olhos da própria criança, e não só com os deles. Ishaan tinha um irmão mais velho, aparentemente estudioso, que “dava orgulho”, e essa comparação é cruel, e é comum ser feita de forma automática quando existe mais de um filho, essa tentativa de enquadrar numa mesma forma de educar, acaba ofuscando o pedido de ajuda de um filho, que tem necessidades diferentes.)

Ishaan enfrenta muita dificuldade na escola, que impõe regrais para todos, não é dada á possibilidade de escuta. A professora hostil, ordena, enquadra todos os alunos na mesma forma de ensino, sem respeitar a individualidade. Em uma das cenas do filme, a professora obriga Ishaan a ler como os outros, porém ele responde que – as letras estão dançando, a professora não associa a dificuldade devido à dislexia e acha que a criança esta zombando dela, Ishaan fica nervoso, têm um “mal comportamento” para tentar enfrentar a situação muito desconfortável, os colegas da sala estão rindo dele, Ishaan então é expulso da sala e fica de castigo no corredor, sendo zombado por outros alunos que passam pelo local. Ishaan não progride nos estudos, é julgado por errar de propósito, por não se interessar pela aula e muda de escola.  

(Infelizmente os alunos acabam sendo expulsos da escola por má conduta, sem ser dada a possibilidade de avaliar o motivo do comportamento. É mais prático quem não se enquadrou no padrão, ser expulso ou até mesmo a família na tentativa de regular a criança, acaba mudando de escola com esperança que uma educação mais rígida, possa resolver “o problema”.)

O pai fica muito irritado, acha um grande insulto ter um filho como Ishaan. A mãe da criança, mesmo que muito afetuosa, sente-se culpada em ter errado de alguma forma na criação. Porém nenhum dos dois para, para pensar como a criança está se sentindo nisso tudo, muito pelo contrário, colocam toda a culpa nele, mandam para colégio interno, como punição.

Ishaan teme, tem pesadelos e implora para não ir, porém a criança não tem voz em sua família, é uma das cenas mais fortes do filme, Ishaan encontra-se abandonado, uma linda musica de fundo, que fala, “sou tão ruim assim mãe”, ficando claro o sentimento de culpa que a criança carrega.  Ishaan escuta várias vezes da família e dos professores que ele é preguiçoso, desatento, perguntam “porque você não consegue?”

(A criança não consegue se adaptar ao sistema do colégio interno, cheio de regras e disciplina, ele demonstra mudança de humor, está longe da família, é ridicularizado por todos, e a cada cena, Ishaan vai ficando mais apático, perde toda aquela imaginação livre do começo do filme, demonstrando claramente conseqüências do abandono social).

És que surge um novo professor, o Ram Shankar Nikumb, ele veio de uma escola de crianças especiais, tem uma outra didática. Os outros professores do colégio não concordaram com o método de ensino dele, mas Ram sabia o valor da sua profissão e o impacto que tem na vida dos alunos. 

Ram é o primeiro a olhar para Ishaan com sensibilidade e ver um pedido de socorro nos olhos da criança. Ram então, avalia os cadernos da criança, conversa com o único amigo de Ishaan e com a família na tentativa de tentar entender um pouco sobre o mundo de Ishaan.  Ram conversa com os pais do menino, explica que muito além de mal comportamento e preguiça, a criança tinha uma dificuldade real de aprendizagem , mas o pai de Ishan não deu a mínima, estava preocupado com o fato da criança ser um fardo na vida dele, com os status sociais.

(O filme trás outro fator importante de discussão, sobre o peso das expectativas dos pais na vida de uma criança. E essa busca que suprir as expectativas é um fardo que a criança precisa carregar para proporcionar aos pais e quando não conseguem, são tomados por sentimentos de culpa. O professor Ram, ao contrário da atitude da família, mostra para Ishaan que ele não esta só, resgata a autoestima da criança e usa uma didática totalmente lúdica para trabalhar o aprendizado do garoto no tempo dele).

Após progresso da Ishaan nos estudos, o pai reconheceu a dificuldade do filho e o professor aproveitou a oportunidade para fazê-lo perceber o papel que ele teve de gerar muito sofrimento desnecessário na vida da criança.

(O diagnostico de dislexia e ou outra comorbidade, não serve para paralisar ou menosprezar a capacidade de aprender, mas é para entender e encontrar métodos para ajudar o individuo. Para observar  quais são as dificuldades  e de que formas poderão ser desenvolvidas, sem rotular ou comparar com o desenvolvimento do outro, apenas avaliar de maneira singular e respeitar o tempo de cada um).

O filme retrata uma história muito real em nosso atual contexto e que felizmente tem um final feliz, Ishaan encontrou alguém que acreditou nele e conseguiu fazer a própria criança e a família também acreditarem nele. O filme passa a mensagem que cada criança tem seu tempo e forma individual de se desenvolverem e o quanto é crucial encontrar bons tutores durante seu desenvolvimento. O atraso na compreensão das dificuldades específicas, geram muitos prejuízos no desenvolvimento infantil, não só na aprendizagem, mas no impacto social e emocional também.  

Para concluir, o filme nos trás inúmeras reflexões, entre elas eu posso destacar a importância do diagnóstico diferencial, a inclusão, a participação dos pais na vida escolar e ótimos educadores, que acreditam em seus alunos e que estão dispostos e capacitados a aplicarem a didática correta, a olharem de maneira empática e acolhedora, cientes que podem auxiliar a promover as habilidades e competências de cada aluno de maneira singular e que são imprescindíveis no processo de desenvolvimento educacional e vida de seus alunos.

Me conta aqui nos comentários, se você já assistiu e quais foram as suas percepções e análises do filme. 🙂

Para saber sobre Dislexia, tem um artigo separado aqui no blog:

https://bilainelima.com.br/2020/08/vamos-falar-sobre-dislexia/

1 comentário


  1. Nossa, eu acabei de assistir esse filme e gostei dessa análise. Eu fico pensando, que bom seria se o brasil investisse mais na capacitação dos professores não é? Obrigado por compartilhar.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *